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Prévia da inflação fica abaixo do esperado

25/01/2018 | Valor Econômico


Depois de surpreender negativamente no fechamento de dezembro, a inflação ficou abaixo da expectativa do mercado na prévia de janeiro. Os preços dos alimentos voltaram a subir, após sete meses em queda, mas foram parcialmente compensados por uma conta de luz mais barata. O resultado reforçou o cenário de inflação benigna em 2018 e de, ao menos, mais um corte na taxa básica de juros em fevereiro, para 6,75% ao ano.

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) foi de 0,39% em janeiro, resultado acima do 0,35% apurado em dezembro do ano passado. Apesar da aceleração, trata-se do segundo menor índice para meses de janeiro desde a criação do Plano Real, em 1994. Em janeiro de 2017, o IPCA-15 foi de 0,31%, atipicamente baixo para o padrão histórico do mês.

O resultado ficou ainda ligeiramente abaixo da projeção de 21 consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data. Na média, eles previam alta de 0,42% do índice em janeiro, com intervalo de 0,33% a 0,46%. Entre os fatores que levaram o IPCA-15 a ficar abaixo das expectativas, analistas citaram o avanço menor que o previsto de combustíveis e a redução de preços das passagens aéreas.

No acumulado em 12 meses, a prévia da inflação acelerou para 3,02% em janeiro. O índice volta assim a ficar acima do piso da meta de inflação, de 3% — o centro da meta é de 4,5% neste ano, com margem de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos. Apesar disso, o provável é que o índice do mês “fechado” volte a mostrar a taxa ligeiramente abaixo do piso, segundo a Tendências e o Bradesco.

O grupo alimentação e bebidas, que responde por 25% do custo de vida das famílias brasileiras, foi o responsável pela aceleração do IPCA-15 de janeiro, ao avançar 0,76%, após sete meses consecutivos em queda. Essa alta foi liderada por itens in natura, sensíveis ao maior volume de chuvas de dezembro, como tomate (19,6%), batata-inglesa (11,7%) e frutas (4,4%).

“Esse aumento estava no radar. Na nossa projeção, os alimentos consumidos em casa devem fechar o ano com alta de 3,8%, refletindo uma base de comparação baixa e a colheita menor de 2018”, disse Marcio Milan, economista da Tendências.

O avanço dos preços dos alimentos foi parcialmente compensado pela conta de luz mais barata. A redução da bandeira tarifária de vermelha (patamar 1) para verde em janeiro fez com que a energia tivesse queda de 3,97%, retirando 0,15 ponto do IPCA-15. O grupo habitação — que inclui a energia — teve queda de 0,41% no mês.

Outra boa notícia veio dos núcleos, que permaneceram comportados. A média das três medidas mais usadas para reduzir ou expurgar o impacto de itens voláteis sobre a inflação foi de 0,31% na prévia de janeiro, praticamente estável frente a dezembro (0,30%), segundo o Itaú. O índice de difusão até cresceu entre os dois meses, mas não preocupa: de 50,1% para 60,7%.

Segundo Leandro Negrão, economista do Bradesco, o bom comportamento dos núcleos está ligado ao ritmo moderado da retomada da atividade, ao nível elevado de ociosidade na economia e ao menor reajuste do salário mínimo, de 1,81% em 2018. Ele lembrou que o reajuste é utilizado pelo IBGE para o cálculo da inflação de empregado doméstico e mão de obra.

“A inflação seguirá comportada no primeiro trimestre. Deve chegar ao fim de março em 3,1% pelo índice de 12 meses. Então, começará a subir gradualmente para 3,7% no final do segundo trimestre e fechará o ano em 3,9%”, disse o economista.

O indicador subjacente da inflação de serviços — que exclui itens relacionados a turismo, serviços domésticos, cursos e comunicação — mostrou variação mensal de 0,38%, com a taxa acumulada em 12 meses estável, em 3,6%. Esse é um dos indicadores olhados com lupa pela Banco Central (BC) desde o ano passado para definir a trajetória da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 7% ao ano.

Como a maior parte do mercado, a Parallaxis prevê que o Banco Central vai cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nas reuniões de 6 e 7 de fevereiro, para 6,75% ao ano. Para Rafael Leão, economista da consultoria, contudo, o IPCA de janeiro manteve em aberto a possibilidade de o ciclo de afrouxamento monetário encerrar-se em 6,50%. Os núcleos bem comportados, segundo ele, corroborariam esse cenário.

“O IPCA-15 de janeiro indica que o Banco Central ainda continua com espaço folgado para seguir reduzindo a taxa de juros”, afirma o economista.

Confira a notícia na íntegra.

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