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Projeções de crescimento para o PIB de 2017 mudam em meio à crise política

13/07/2017 | G1


De 14 instituições pesquisadas pelo G1, metade piorou as expectativas para a economia brasileira após crise política se intensificar.

Eclosão da crise política envolvendo o governo de Michel Temer após as delações da JBS fez alguns bancos e consultorias piorarem suas expectativas em relação à recuperação da economia neste ano. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a dizer que o próprio governo irá rever suas expectativas, mas depois voltou atrás.

De 14 bancos, agências de risco e consultorias pesquisados pelo G1, incluindo também o boletim Focus (relatório do BC que reúne uma mediana das projeções de mercado), houve 7 reduções no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017. Outras 7 instituições mantiveram as previsões feitas antes de maio – mês em que surgiram as primeiras notícias sobre as gravações que o empresário Joesley Batista fez de conversa com o presidente Temer.

A piora nas expectativas acontece em meio a incertezas de que o governo Temer será capaz de aprovar no Congresso medidas econômicas consideradas necessárias para reaquecer a economia, como a reforma da Previdência. Enquanto isso, outros economistas avaliam que o impacto da crise política pode ser mitigado.

Por que reduzir a previsão?

Após as delações da JBS, o banco Fator reduziu sua projeção de alta do PIB de 1% para 0,4% em 2017. Para 2018, também houve piora nas estimativas, com o crescimento esperado passando de 2,3% para 1,7%.

A justificativa principal para a piora da previsão é o abalo na confiança dos empresários. Isso faria os investimentos, já cambaleantes, ficarem ainda mais reduzidos. Essa é a explicação de José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco. Segundo ele, isso se agrava em meio a um cenário de investimentos públicos em queda e consumo fraco, o que deixa o PIB sem um elemento suficientemente forte para puxá-lo para cima.

“O consumo depende da renda, gasto público está travado por definição, e o setor externo tem nos ajudado, mas não é ele que vai puxar a nossa carroça. Ficamos dependendo do investimento, e infelizmente essa piora de expectativa, piora de percepção sobre a situação política e os rumos da política econômica é que inibem claramente o investimento."

“Os investimentos do setor privado não vão acontecer. E os do governo, ao contrário, estão caindo”, acrescenta Gonçalves, citando a PEC do teto dos gastos, regra aprovada pelo Congresso que proíbe o governo de elevar suas despesas acima da inflação.

“Precisa lembrar que o governo vendeu a reforma da Previdência como forma de viabilizar a PEC do teto”, acrescenta Gonçalves. “Ou seja, é bastante razoável imaginar que essa PEC do teto está em risco. Corremos o risco de ter uma emenda constitucional que não pega.”

O economista credita a expectativa de piora da confiança às dificuldades do governo em aprovar no Congresso medidas para tentar reaquecer a economia, citando especialmente a reforma da Previdência. “Tudo que depende de negociação do governo passa a ser muito difícil de passar esse ano, principalmente como foi pensado, como foi enviado pelo governo para o Congresso”.

Gonçalves acredita que, apesar do cenário turbulento, o presidente Temer irá permanecer no cargo. “Do ponto de vista político, é mais interessante acalmar a situação para todos os partidos, à exceção talvez de um ou outro da oposição atual. Então, eu acho que isso retira um pouco da pressão sobre o presidente”, avalia. “De outro lado, é difícil imaginar que exista um sucessor. (...) Então, nosso cenário é de que a situação fica como está, em princípio até a eleição do ano que vem.”

A piora nas expectativas para o ano que vem também se deu pela expectativa de mais dificuldades para a aprovação da reforma da Previdência, especialmente por causa das eleições de 2018.

“Do ponto de vista de expectativas econômicas, eu acho que os sinais estão mais para 2019 do que para esse ano e meio que falta até a eleição.”

Por que manter a previsão?

A XP Investimentos manteve sua projeção para o PIB neste ano, com intervalo de 0 a 0,5%. A economista-chefe Zeina Latif justifica que os principais “canais" pelos quais a economia pode ser contaminada pela crise política não foram afetados de maneira tão intensa.

O primeiro, segundo Latif, é o mercado financeiro – que, após reagir com força às primeiras notícias sobre as delações da JBS, passou a operar mais acomodado, ajudado por um cenário externo positivo. “A contaminação da crise política na economia via mercado financeiro é limitada”, diz a economista.

Latif também aponta que a confiança dos consumidores e empresários também pode ser afetada pela crise política, mas diz que esse efeito é minimizado pelo fato de a economia já estar dando sinais de recuperação. Isso porque os índices de confiança são divididos entre expectativas para o futuro e percepção da situação atual.

“Pode ser que esse indicador mais ligado às expectativas sinta. Mas aquele associado às condições econômicas correntes, que vem numa tendência de alta e é menos volátil, ele deve seguir. Então, mesmo que a componente expectativas sofra, a componente situação atual segura”, aponta Latif.

“É claro que pode postergar investimentos via este canal de confiança? Sim, pode. Mas como também já não havia expectativa de muitos investimentos, então eu acho que não faz tanta diferença.”

Latif também não acredita que a crise política levará a uma diminuição do ritmo de corte de juros. “É um governo fraco? É. É um governo que precisa fazer concessões? É. Mas creio que não seria a ponto de prejudicar o caminho do Banco Central porque seria até um tiro no pé fazer isso. Porque, hoje, o único instrumento para a gente ter alguma recuperação da economia é via corte de juros.”

Sobre a dificuldade em se aprovar a reforma da previdência, Latif diz que a preocupação impacta as projeções para a economia nos próximos anos, e não no curto prazo. “O governo consegue (neste ano) fazer a gestão da política fiscal apesar de não ter a reforma"."A minha preocupação maior é de médio e longo prazo”.

A economista também cita a PEC do teto de gastos, mas ressalva que por si só, a medida não resolve o problema das contas públicas. “A regra do teto é o que contribui para essa ligeira calma dos mercados, porque sabem que, mesmo não tendo a reforma da Previdência, pelo menos no curto prazo você tem a amarra. (...) mas é óbvio que os analistas sabem que sem reformas estruturais você não consegue cumprir a regra do teto.”

Sobre a permanência ou não de Temer no cargo, Latif acredita que o efeito sobre as expectativas econômicas no curto prazo seja mínimo.

“Hoje, por incrível que pareça, a gente nem tem clareza do que é melhor para o Brasil. Hoje a gente não consegue dizer o que é melhor para a economia, o presidente ir embora ou não. O mercado não tem essa clareza e, na dúvida, ele acha que talvez não faça diferença.”

Expectativas do governo

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu no final de junho que o crescimento da economia em 2017 será menor do que o governo previa. A estimativa oficial era de 1%, e foi reduzida para 0,5%. Em coletiva de imprensa em São Paulo, o ministro diz que o crescimento será ainda menor.

Semanas depois, Meirelles voltou atrás e disse que o governo vai manter em 0,5% a sua projeção oficial de crescimento do PIB. "Nós continuamos com a previsão de crescimento. Vamos manter em 0,5% a estimativa de alta do PIB neste ano]", afirmou ele a jornalistas na Alemanha, onde participou da reunião do G20.

Confira notícia na íntegra.

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