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Usina de aço longo volta a reajustar preço

20/02/2018 | Valor Econômico


Sem conseguir repassar reajustes de preços durante 2017, as fabricantes de aços longos do país testam, no mercado da construção imobiliária, a aceitação de aumentos neste início deste ano. A percepção é de que o poder de precificação por parte das siderúrgicas ganhou força com o princípio de retomada da demanda por imóveis e com a perspectiva de maior consumo de materiais de construção. Os anúncios vêm sendo feitos caso a caso. Conforme o poder de negociação de cada cliente, a colocação do reajuste não é integral.

O setor de siderurgia amarga queda de vendas e de preços desde 2013, ano do ápice do consumo de aço no Brasil. No segmento de aço longo — como vergalhão —o esforço é maior do que no de plano para se recuperar. Dados do Instituto Aço Brasil mostram que, desde o início de 2015, há queda livre na demanda por aços longos. A procura por aços planos, porém, já está próxima ao nível de três anos atrás.

Aços longos são os mais usados pelo mercado imobiliário e pela infraestrutura em suas obras. Já os planos, como chapas, são mais aplicados na indústria automotiva e eletroeletrônica. No primeiro caso, uma retomada mais palpável é projetada para se iniciar no fim deste ano; no segundo, a recuperação começou em 2017.

Construtoras foram comunicadas, no início do ano, pela Gerdau e pela ArcelorMittal, de altas nos preços de vergalhão, segundo o Valor apurou.

Para uma construtora com a atuação no mercado imobiliário, a Gerdau propôs, na virada do ano, altas de 15% a 20% para o vergalhão, e o índice fechado foi de 12% na média. A mesma siderúrgica informou a intenção de elevar em 20% o preço do aço cortado e dobrado para outra construtora. Essas negociações ainda não terminaram, e a expectativa é de que o reajuste será inferior ao pedido.

Outra construtora foi informada pela Gerdau da intenção de aumento de 12% a 13% no valor do aço. “Conseguimos fazer a última compra no preço antigo, mas não será possível manter o valor na próxima”, diz fonte. Há também empresas para as quais a siderúrgica já comunicou que fará reajuste de preços, mas não propôs ainda um número.

Um executivo avalia que poderá haver também, em breve, elevação de preços de outros materiais de construção. A Duratex, por exemplo, anunciou aumento de 5% nos produtos da Deca — divisão de louças e metais sanitários — que serão implantados em março e abril. A companhia fez aumentos de 8% em painéis de madeira MDP e teve elevações pontuais em MDF em janeiro.

No entendimento de fonte do setor de construção, as fabricantes de materiais vão buscar recuperação de preços e margens, o que pode contribuir para que a inflação deste ano fique um pouco acima da esperada oficialmente. “Com os aumentos de agora, os preços do aço voltam, nominalmente, ao patamar de 2010 em Brasília”, acrescenta. Parte dos altas ocorreram em janeiro, parte das elevações serão aplicadas neste mês, e outra parcela ficará para março.

Segundo a fonte, não se pode falar em queda de braço entre siderúrgicas e construtoras, pois tem sido possível realizar os aumentos.

Como o Brasil não é formador, e sim tomador de preço internacional, em geral a cotação do aço por aqui segue a tendência lá fora — em especial, da China, origem da maior parte das importações. Um analista que não quis se identificar lembrou que o desconto médio do aço longo nacional ante o importado chega a até 8% atualmente, quando o plano já é vendido com prêmio de 10%.

Em geral, o mercado calcula que níveis próximos a 10% de prêmio são sustentáveis. O cliente aceita essa diferença porque pode receber o produto quase imediatamente, não sofre com custos de importação e tem assistência técnica da usina local, além de conferir a qualidade.

“Falta consumo e adequação de oferta para reajustes de aços longos pegarem”, disse outro analista, que acompanha o setor há anos. “Tivemos novos entrantes no Brasil [Simec, Silat, Aço Verde, CSN] durante os últimos anos que dificultaram qualquer aumento. Agora, com a oferta delas comissionada e o mercado com expectativa de crescer, o preço já começa a subir.”

Confira a notícia na íntegra.

O SINMETAL não é responsável pelas notícias aqui transcritas, são apenas reproduções da mídia.

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