Logomarca Sinmetal

Notícias

Sem leilões, produção de petróleo em terra recua 40% desde o fim do monopólio

27/02/2018 | O Globo


A produção de petróleo em terra chegou, literalmente, ao fundo do poço. Os campos terrestres espalhados principalmente pela Região Nordeste fecharam 2017 amargando seu pior desempenho desde o fim do monopólio da Petrobras no setor. De lá para cá, a produção de óleo terrestre caiu de 212 mil barris diários em 1998 para os atuais 127 mil por dia, uma queda de 40%, revelam dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O recuo acentuado começou a ganhar força nos últimos anos, dizem especialistas, com a paralisação das rodadas de licitações no país, a crise na Petrobras e a redução do preço do barril no mercado internacional.

O movimento, no entanto, é o inverso do que ocorreu em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Argentina e Colômbia, que, nos últimos anos, tiveram avanço na exploração em terra com o advento de novas técnicas capazes de elevar a produção, mudando a geopolítica internacional do petróleo e afetando a Opep, organização que reúne os maiores exportadores de petróleo do mundo.

VENDA PARA APÓS QUESTIONAMENTO DO TCU

A produção em terra nos EUA utiliza técnicas não convencionais, como o fraturamento hidráulico (fracking). Dessa forma, o petróleo produzido a partir dessa técnica é chamado de tight oil. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), a produção subiu de 421,62 mil barris por dia, em 2010, para 4,485 milhões de barris diários no ano passado. Um aumento de quase 1.000%. Esse modelo de produção, porém, é alvo de críticas por seu impacto ambiental.

Assim, a produção em terra no Brasil responde atualmente por cerca de 8% do total extraído, contra 50,6% do pré-sal e 41,4% do pós-sal, diz a ANP. Porém, há uma expectativa de que esses números possam mudar nos próximos anos. Segundo empresários, a Petrobras – dona dos principais campos em terra – já está negociando com o mercado a venda de 69 campos terrestres, em um processo que foi iniciado há três anos e foi paralisado após questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) no ano passado. Além disso, a própria ANP está desenhando um novo ambiente regulatório para atrair mais investidores, com redução de royalties e o uso das reservas como garantia bancária.

Uma série de fatores ajuda a explicar o cenário hoje. A Petrobras vem demorando para vender os campos, ficamos muitos anos sem leilões e ainda tivemos a queda no preço do petróleo, que fez a Petrobras direcionar os investimentos para os campos do pré-sal. Por isso, temos um cenário diferente do exterior, em países como Equador, Peru, Canadá e Estados Unidos. Só o investimento vai aumentar a produção – disse Sergio Paez, presidente da Petrosynergy, empresa com 17 campos no Rio Grande do Norte, na Bahia e no Espírito Santo, que consumiram investimentos de R$ 150 milhões nos últimos 18 anos.

Confira a notícia na íntegra.

O SINMETAL não é responsável pelas notícias aqui transcritas, são apenas reproduções da mídia.

Filiado ao Sistema FIRJAN
Associe-se ao Sinmetal