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Brasil, o país “Walking Dead”

07/03/2018 | Jornal do Brasil

O site do jornal britânico Financial Times avaliou nesta segunda, 5, que a economia brasileira passou de “zumbi a walking dead (morto-vivo)” e acredita que o próximo governo terá que desenrolar “terríveis distorções” econômicas, incluindo a Previdência Social. O texto cita não apenas o crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico, divulgado na sexta-feira pelo IBGE e que mostrou a primeira expansão desde 2014, e também o relatório com projeções mais positivas para o avanço da atividade da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado na semana passada.

“Mas antes de comemorar o renascimento do zumbi econômico para uma economia de alto crescimento, vale a pena analisar algumas das distorções ilustradas na pesquisa. Elas sugerem que ainda há um mal-estar profundo no coração da economia brasileira”, considerou o diário.

Uma amostra seria o alto pagamento pelos brasileiros de bens de consumo e serviços, um fator que aumenta a desigualdade e os custos na economia. Como exemplo, o periódico citou que um Toyota Corolla produzido no Brasil custa mais de US$ 45 mil, enquanto no México, que também produz o veículo, o preço é pouco acima de US$ 30 mil e, nos Estados Unidos, US$ 20 mil. Outra distorção dos preços brasileiros citado pelo FT inclui os serviços de voz móveis, que no Brasil são quase duas vezes mais caros por minuto do que na Argentina e oito vezes as taxas dos EUA.

A lista do site continua. As fábricas no Brasil gastam uma média de quase 2 mil horas por ano, preparando seus impostos em comparação com 800 horas na Venezuela e menos de 200, nos EUA. O Brasil tem as tarifas de importação mais altas dos países listados no relatório da OCDE, cerca do dobro do nível da China e quatro vezes o dos Estados Unidos. A reportagem também menciona que o Brasil não ganhou novos mercados para suas exportações nos últimos anos. Em termos de importações e exportações em porcentagem do PIB, o Brasil é o país menos aberto na lista da OCDE. “Menos do que a Argentina”, enfatizou o veículo britânico.

Do lado ¬fiscal, a avaliação é a de que o orçamento brasileiro é um estudo sobre como não desenvolver um país. Em 2016, gastou 16% do seu orçamento em pagamentos de juros sobre dívida pública, que é detida por investidores, empresas e poupadores da classe média alta. Isso foi mais do que na educação (12%) e na saúde (12%). “Na verdade, os pagamentos de juros foram o segundo maior gasto no orçamento, batidos apenas por benefícios sociais (35%), principalmente pagamento de pensões” comparou.

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